Da Assessoria ALEP
A busca por soluções para reduzir os impactos da deriva de agrotóxicos no Paraná, que consiste no desvio de partículas de defensivos agrícolas durante a pulverização, reuniu agricultores, representantes do Poder Público, pesquisadores, entidades e movimentos sociais na manhã desta terça-feira (7), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A audiência pública foi promovida e organizada pelo deputado Professor Lemos (PT).
O encontro visou, entre outras coisas, subsidiar a discussão de projetos de lei que tramitam na Alep sobre a deriva de agrotóxicos. Ao atingir propriedades vizinhas, comunidades, cursos d’água, escolas, áreas urbanas e unidades de produção agrícola, a deriva pode trazer prejuízos à produção agrícola, ao meio ambiente, à economia e à saúde pública – impactos demonstrados por agricultores e pesquisadores durante o evento.
Dentre as proposições que visam atacar o problema está o PL nº 116/2021, que propõe distâncias mínimas para a aplicação de agrotóxicos nas proximidades de mananciais, escolas, hospitais, unidades de saúde e áreas de proteção ambiental, entre outros locais.
Já o PL nº 2/2018 veda a pulverização aérea de agrotóxicos, enquanto o PL nº 683/2019 proíbe a aplicação próxima a locais sensíveis, como escolas, comunidades e mananciais, além de prever a implantação de barreiras verdes. Também é discutido o PL nº 429/2022, que propõe a Política Estadual de Redução de Agrotóxicos (PERA) e a Comissão Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (CEAPO).
Produtores impactados – Na abertura da audiência, produtores, lideranças políticas e pesquisadores apresentaram um panorama dos impactos da deriva de agrotóxicos. O prefeito de Mato Rico, Edelir Ribeiro da Silva, detalhou os prejuízos gerados pela aplicação desordenada e irregular de defensivos aos apicultores do município, que tem 3,6 mil habitantes e mais de 600 propriedades dedicadas à agricultura familiar – onde a produção de mel é recorrente.
“Já chegamos a colher 140 toneladas de mel por ano. Hoje não colhemos sequer 30. Teve uma quebra muito grande, inclusive com famílias abandonando a atividade porque não conseguem mais produzir”, desabafou o gestor.
Drama semelhante é vivido pelos sericultores do Paraná, já que a disseminação dos defensivos mata o bicho-da-seda, que se alimenta de folhas de amoreira. Por meio de vídeos, produtores de Ararúna afirmaram estar sem renda há meses devido ao comprometimento total da produção da última safra.
De acordo com Leandro Dadalt, chefe da Divisão de Controle de Agrotóxicos da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o órgão realizou mais de 500 atendimentos no Estado referentes a casos de mortandade do bicho-da-seda desde outubro do ano passado.
Medidas – Marcos Rochinski, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Paraná (Fetraf-Paraná), e Marcos Antonio Silvério, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), apontaram a necessidade de reforçar a assistência técnica prestada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). Silvério ressaltou que os 600 técnicos do instituto são insuficientes para atender aos 399 municípios do Estado. “Hoje os agricultores recebem ‘orientação técnica’ de vendedores de insumos, que, quanto mais venderem, maior o salário no fim do mês”, complementou Rochinski.
Atuação do Poder Público – Conforme Dadalt, desde 2022 a Adapar passou a adotar uma estratégia preventiva para enfrentar a deriva de agrotóxicos. Segundo ele, a primeira etapa consistiu em diagnosticar as causas do problema por meio da fiscalização de pulverizadores na região de Marialva.
Em um projeto-piloto, a agência constatou que 32 dos 35 equipamentos inspecionados não tinham condições adequadas para a aplicação de herbicidas hormonais. Com base nesse diagnóstico, a Adapar intensificou a inspeção de pulverizadores, dando origem à Operação Agromais. Mais de 600 equipamentos já foram fiscalizados nas regiões de Marialva e Nova Esperança e em áreas produtoras de bicho-da-seda, elevando o índice de regularidade dos pulverizadores para mais de 90%.
A terceira etapa do plano prevê o fortalecimento de parcerias entre o poder público, a indústria, o comércio de insumos e profissionais da agronomia, para ampliar a capacitação em tecnologia de aplicação. De acordo com Dadalt, a falta de conhecimento técnico está entre as principais causas das aplicações inadequadas. A proposta é qualificar os profissionais que prestam assistência aos produtores para disseminar boas práticas, reduzir os casos de deriva e apoiar as ações de inspeção. A Operação Agromais também será expandida para outras regiões, como Irati, importante polo produtor de fumo.










